|
A RAÇA BHUJ
 |
|
 |
Na Índia - Na província de Gujarat existe o deserto de Kutch, onde vivem o gado Guzerá e também os caprinos Kutchi que medem entre 75-90 cm. Ali está a pequena cidade de Bhuj, explicando assim o nome adotado pelo Brasil.
A raça Bhuj teve origem em um clima muito seco perto do deserto de Kutch e usava suas longas pernas para percorrer distâncias consideráveis em busca de alimento. Existem muitas criações similares e é difícil saber qual é a raça-pura: a Marwari, a Gohilwadi, a Mehsana, a Lehri, a Kaghani, etc. Pelo espiralamento dos chifres, parece que a Zalawadi é a mais antiga, podendo ter dado origem a todo o grupamento.
Celso Garcia Cid ali comprou gado Nelore e recebeu como presente alguns caprinos Bhuj, maravilhado que estava pelo tamanho dos animais. O grupamento mais expressivo, no entanto, é o da raça Beetal, no Paquistão, que mede 80-90 cm de altura.
No Brasil - Os poucos animais Bhuj chegaram no início da década de 1960. Na ilha de Fernando de Noronha, durante o período de quarentena determinado para bovinos e caprinos, os Bhuj misturaram-se com os caprinos que já viviam na ilha há longo tempo, na Vila de Quixaba.
Também existiam caprinos de pequeno porte, tipo Pé-Duro, nas extremidades de Pedra do Bode e Morro Francês. Por ocasião das secas e das enchentes, todos os caprinos da ilha fugiam para um local chamado "Ilha dos Ratos", onde se acasalavam naturalmente. Ali teve origem o Bhuj brasileiro que, após muitos anos de seleção, não apresenta diferenças salientes em comparação com o Bhuj indiano. A mistura resultante produziu cabras de grande porte e longas orelhas, de coloração negra e orelhas marcadas por "chuviscos brancos".
De Fernando de Noronha a Bhuj passou para Pernambuco e demais Estados nordestinos. O Governo do Ceará fez uma grande aquisição, distribuindo os animais pelo sistema de revenda entre os criadores. Houve até um curtume que garantia ter obtido melhores preços pelo couro no mercado internacional. Surgiram três variedades de pelagem a negra, a vermelha e a branca.
Os produtores preferiam a Bhuj preta, de longas orelhas chuviscadas, de grande porte, muita altura com focinho branco. Um animal, na Exposição de Natal, em 1982, media 1,70 m - com a cabeça em pé! Era um caprino mais alto que a maioria das pessoas que visitavam a Exposição! Esse animal morreu em mãos do criador Vital Duré, do Rio Grande do Norte.
A raça não é leiteira, embora um produtor da Bahia tenha conseguido boas produções com ela. O Bhuj, enfim não recebeu a atenção de seus criadores e não chegou sequer a receber um trabalho de melhoramento zootécnico adequado.
Segundo a Revista Brasileira de Caprinos & Ovinos (O Berro (n. 14, p. 66), em 1987, houve uma reação favorável à raça, principalmente em Pernambuco, mas os juízes eram muito minuciosos no julgamento do Bhuj, liquidando o interesse dos selecionadores. Na verdade, bastaria encurtar um pouco as pernas e melhorar o rendimento de leite, para se ter uma formidável raça caprina. Sem dúvida, a de maior porte entre todas.
Por outro lado, não se verificou, em nenhum momento, um trabalho persistente de seleção para carne, preferindo os criadores aterem-se às características de grande porte das crias.
Desde a década de 1980, Jairo Andrade Pereira vem selecionando Bhuj, na cidade de Jequié (BA), tendo 90% do rebanho com pêlo curto, matrizes produzindo até 2,5 litros de leite/dia, machos pesando acima de 100 kg e fêmeas ao redor de 70 kg, sempre em regime de campo. Ele afirma que a raça foi injustiçada, pois ninguém dava ao Bhuj a mesma atenção que proporcionava às demais raças caprinas. "Com um mínimo de atenção, os animais mostram-se dóceis e lucrativos, como devem ser todos os caprinos" - comenta.
Bhuj Vermelho - O Bhuj tornou-se rapidamente uma "moda", sendo utilizado por milhares de criadores que queriam colocar maior porte em suas cabras, uma vez que atingia facilmente entre 0,80 a 1,00 metro de altura. Por algum tempo, pensava-se que o Bhuj vermelho iria predominar de norte ao sul, dando maior porte e mais peso aos caprinos Brasileiros.
Dizia-se que as vermelhas eram excelentes para cruzamentos com cabras locais para produzir carne e, exatamente por isso, acabou sendo absorvida e confundida na própria produção.
O cruzamento de Bhuj Vermelho com Mambrina e mais Anglo-Nubiano provocou grande confusão e logo ninguém distinguia um animal puro de um mestiço. Até porque o Bhuj Vermelho já era fruto de uma mistura entre essas três raças! Os criadores preferiam, então, retornar ao Anglo-Nubiano, com maior tradição. Até hoje existem remanescentes cruzados, com vestígio de sangue Bhuj Vermelho. O certo é que, devido a tais misturas indiscriminadas, ficou decretado o fim do Bhuj Vermelho.
Bhuj Branco - Nessa mesma época - final da década de 1970 - tinha surgido também o Bhuj branco, provavelmente do cruzamento entre Bhuj, Mambrina e Jamnapari, o qual teve também curta duração.
Situação - O rebanho mestiço é grande. Hoje existem poucos rebanhos puros no Brasil exemplo Bahia, Minas Gerais e Paraíba podendo se destacar o da Bahia, por ter dado origem a outros rebanhos.
Padrão da raça Bhuj
Aptidões - Pele e carne
Cabeça - Pequena e bem conformada; permissível: mediana. Perfil ultraconvexo; permissível: convexo. Orelhas com implantação baixa e solta, paralelas à face, com as extremidades voltadas para fora. Longas, largas e pendentes, ultrapassando a ponta do focinho; permissível: chegando à ponta do focinho. Chifres nos machos: curtos, fortes, chatos, saindo para cima e ligeiramente para trás, quase sempre formando uma leve espiral. Nas fêmeas: mais delicados, em arco ou levemente para frente; permissível: ligeiramente assimétricos . Olhos vivos e brilhantes.
Pescoço - bem implantado, proporcional ao corpo, linha superior tendendo à oblíqua. Mais delicado nas fêmeas.
Corpo - bem conformado e longo.
Membros - longos e bem aprumados. Cascos escuros; desclassificante: brancos e rajados.
Pele - solta e escura; desclassificante: despigmentada. Mucosas escuras; desclassificante: despigmentada.
Pelagem - Pêlos médios nos machos e mais curtos nas fêmeas. Coloração preta, no geral, admitindo-se a castanho-escura. Orelhas brancas, pouco chitadas, focinho preto, gargantilha chitada e branca. Pêlos ondulados, longos e curtos. Admitem-se a pelagem vermelha total e branca total.
Defeitos específicos - Cabeça grande. Perfil reto e côncavo. Orelhas estreitas, curtas e dobradas. Manchas brancas no corpo.
Altura média - Fêmeas: 70-85. Machos: 85-110cm
Peso médio - Fêmeas: 60-70 kg. Machos: 65-95kg (podendo passar de 120kg).
Fonte: A Cabra e a Ovelha no Brasil
|